Já está disponível o terceiro texto de 2018 da análise da execução orçamental, um projeto IPP. A análise da execução de março de 2018 realizada para o Observador, “Execução orçamental de março: primeiro trimestre bem de saúde’”, pode ser encontrada aqui.

Nesta análise, Joana Andrade Vicente e Luís Teles Morais referem que o balanço do primeiro trimestre de 2018 é claramente positivo: receitas públicas e contribuições sociais continuam a crescer (fruto do favorável crescimento económico e aumento do emprego), dívida não financeira dos Hospitais EPE e despesas com pessoal diminuem. Tal permitiu que o saldo global registasse uma melhoria homóloga de 14 milhões de euros.

Paira, no entanto, ainda a dúvida de como é que Mário Centeno irá conseguir aumentar pensões, descongelar carreiras, aumentar investimento, e ainda assim estimar uma trajetória tão positiva para o défice quanto a que está inscrita no Programa de Estabilidade 2018. Por ora, as receitas públicas continuaram a refletir os ventos favoráveis do crescimento económico nos últimos meses, com a receita fiscal a crescer 5,8% e as contribuições sociais 4,6%.

Apesar das despesas com pessoal terem registado uma variação homóloga de -3,1%, importa relembrar que tal se deve, em parte, ao diferente perfil de pagamento do subsídio de Natal este ano, bem como ao facto de ainda não se terem feito sentir em pleno os efeitos do descongelamento das carreiras.

O investimento público continua aquém do desejado, com uma variação de -7% (quando deveria ter sido um aumento de 7%). De qualquer modo, já se percebeu que em geral a orçamentação do investimento não é mesmo para cumprir… Sendo que recentemente o FMI alertou para o facto de Portugal apresentar o mais baixo nível de investimento público das economias avançadas, investimento esse que já não chega sequer para compensar a depreciação do investimento já realizado.

É na área da saúde que se registam boas notícias, com uma diminuição mensal da dívida não financeira dos Hospitais EPE de 319 milhões.

 

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