• Policy research and debate

Lançamos aqui o nosso terceiro ‘Policy Paper’: Returns to vocational education in Portugal, de Sofia Oliveira.

Com este paper, retomamos uma temática que o IPP tinha aflorado numa das suas primeiras iniciativas: as políticas públicas da educação. Aqui Sofia Oliveira aborda um tema quente que irá certamente continuar a dividir os especialistas nesta área: a aposta no ensino vocacional ou técnico-profissional, e os seus benefícios. Essa opção parece favorecer o rendimento e a entrada no mercado de trabalho dos jovens graduados, mas no longo prazo compensa? E como afeta a capacidade da economia responder a um contexto de cada vez maior inovação? Neste paper, apresentam-se dados e discutem-se opções de política.

A não perder! Faça aqui o download gratuito do IPP Policy Paper n.º 3 (PDF, em Inglês – versão portuguesa brevemente online), leia e deixe-nos aqui o seu comentário.

Sumário executivo

Em Portugal, nas últimas décadas, temos assistido a um investimento crescente no desenvolvimento do ensino profissional. Na Estratégia de Fomento Industrial para o Crescimento e o Emprego, 2014-2020 – integrada na estratégia europeia, Europa 2020 – a meta estabelecida é a de aumentar o número de estudantes nesta vertente do ensino secundário, de 155.000 em 2014 para 162.500 em 2015, e 200.000 em 2020. Em 2011, o Memorando de Entendimento firmado pelas autoridades portuguesas com a chamada “troika” já previa a necessidade de atacar a problemática das baixas qualificações do capital humano e reforçar a “atratividade e relevância no mercado de trabalho do ensino e formação profissional”.

Este paper pretende contribuir para o acalentado debate em torno da expansão da vertente do ensino profissional no sistema educativo português. Num país que sempre teve dificuldades em matéria da qualificação dos seus recursos humanos, é importante compreender as opções tomadas e os seus resultados para tirar conclusões, e desenhar expectativas quanto às recentes mudanças no nosso sistema educativo.

Primeiro, explica-se a trajetória histórica do ensino profissional em Portugal. Houve três momentos chave: a abolição do ensino técnico, em 1975, a criação de escolas profissionais em 1989 e posterior integração de cursos profissionais em escolas secundárias públicas e, finalmente, a criação de cursos de “ensino dual”, em 2012, motivada pelo aumento da idade escolar obrigatória.

Segundo, apresenta-se evidência empírica sobre o efeito da passagem pelo ensino profissional ao nível do ensino secundário nos salários dos trabalhadores, ao longo da sua vida. Os resultados mostram uma vantagem salarial para aqueles trabalhadores, comparativamente a outros com o mesmo nível de educação (12.º ano) mas em cursos gerais. Contudo, os rendimentos do primeiro grupo crescem a um ritmo mais lento e são ultrapassados pelo segundo após oito anos de experiência de trabalho. Para mais, numa comparação entre diferentes tipos de ensino profissional, verifica-se que os trabalhadores que fizeram um curso profissional de nível III obtêm um ganho mais elevado no início da carreira, mas uma desvantagem maior alguns anos mais tarde.

Por um lado, estes resultados indicam que o raciocínio da aposta no ensino profissional faz sentido. Em particular, os cursos profissionais criados em 1989 serviram como elementos que conferem ferramentas diferenciadas aos novos trabalhadores saídos daqueles, e as competências adquiridas são reconhecidas e valorizadas pelas empresas. Por outro lado, os resultados salientam um problema potencial, que poderá surgir no futuro: mudanças estruturais da economia podem fazer com que aquelas competências se tornem obsoletas.

Estas conclusões sublinham a importância de incluir nos cursos profissionais uma componente forte de conteúdos mais gerais, bem como a urgência do desenho e implementação de uma estratégia efetiva para a aprendizagem ao longo da vida em Portugal.

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One Response to Returns to vocational education

  1. Pedro Duarte Meira diz:

    Quando houver uma versão portuguesa, gostaria de ter acesso à mesma.

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