Workshop privado: Simplify to Compete – Rethinking EU Regulation for a Digital Future

Reflexões do workshop PromethEUs, Lisboa – 24 de junho de 2025

No passado dia 24 de junho de 2025, o Institute of Public Policy – Lisbon (IPP) organizou, em parceria com a rede PromethEUs e com o apoio da Google, o workshop fechado “Simplify to Compete: Rethinking EU Regulation for a Digital Future”. O evento teve lugar no ISEG – Lisbon School of Economics & Management, reunindo um grupo restrito de decisores políticos, investigadores e especialistas em políticas públicas para debater o papel da simplificação regulatória na promoção da competitividade, da inovação digital e do investimento estratégico na União Europeia.

Este encontro integrou-se num ciclo de debates promovido pela PromethEUs – rede de think tanks do sul da Europa dedicada à transformação digital e integração europeia – e antecedeu a apresentação oficial do relatório de políticas públicas no Parlamento Europeu, a realizar-se em Bruxelas, no dia 2 de julho de 2025.

 

Porquê simplificar?

O debate partiu de uma constatação cada vez mais consensual: o excesso de complexidade regulatória pode comprometer a capacidade da União Europeia para responder aos desafios tecnológicos e industriais do século XXI. A simplificação deixou de ser uma questão meramente administrativa – passou a ser uma prioridade estratégica, fundamental para reforçar a soberania digital, atrair investimento e proteger a competitividade europeia.

As intervenções iniciais do IPP e do ISEG lançaram duas questões-chave:

  • Como tornar o quadro regulatório europeu mais coerente e favorável à inovação digital?

  • Que mecanismos políticos e institucionais podem reduzir a fragmentação normativa na UE?


Apresentação do relatório: quatro pilares para a reforma

Na primeira parte do workshop, foi apresentado o relatório preliminar da PromethEUs, organizado em quatro capítulos temáticos:

1. Simplificar sem desregular
Stefano da Empoli (I-Com, Itália) alertou para o risco de confundir simplificação com desregulação. Defendeu a importância da interoperabilidade regulatória, da coerência entre Estados-Membros e da clareza normativa, especialmente para empresas em crescimento.

2. Lições do SIMPLEX português
Steffen Hoernig (IPP e Nova SBE) partilhou aprendizagens do programa SIMPLEX, destacando a importância de:

  • evitar a digitalização da complexidade existente;

  • alinhar a reforma legal com infraestruturas tecnológicas;

  • envolver cidadãos e técnicos locais desde o início;

  • garantir adaptabilidade através de ciclos de feedback;

  • avaliar a implementação com base em resultados.

3. Inteligência Artificial e assimetrias europeias
Darío García de Viedma (Royal Elcano Institute, Espanha) analisou a estratégia europeia para a IA, incluindo o AI Act, o novo Gabinete Europeu de IA e os planos de investimento. Chamou a atenção para a assimetria no acesso a capital de risco entre países do sul da Europa e o resto da UE.

4. Política industrial e tecnologias críticas
Aggelos Tsakanikas (LIEE, Grécia) abordou os desafios da política industrial europeia nas áreas dos semicondutores e das tecnologias quânticas, sublinhando a necessidade de integrar regulação, financiamento e transição verde numa estratégia coerente.


Mesa-redonda: obstáculos e oportunidades

Na segunda parte do workshop, foi realizada uma mesa-redonda com regras de Chatham House, que permitiu um diálogo franco sobre os principais obstáculos à simplificação regulatória na UE.

As questões em debate incluíram:

  • Porque falham tantas iniciativas de simplificação a nível europeu?

  • Como articular reformas nacionais com a harmonização normativa?

  • Como evitar o agravamento das desigualdades digitais entre regiões?

  • Que incentivos políticos podem promover reformas mais eficazes?

O programa SIMPLEX voltou a ser referenciado como um exemplo raro de continuidade política e cultura institucional de escuta ativa. Os participantes defenderam também a necessidade de instrumentos flexíveis, como regimes legais opcionais (“28.º regime”), para respeitar a diversidade dos Estados-Membros.


Conclusão e próximos passos

O workshop terminou com um consenso claro: a simplificação é um processo político e institucional, que exige visão de longo prazo, cooperação entre níveis de governação e confiança mútua. A regulação deve ser mais simples, mas também mais adaptável, eficiente e orientada para resultados.