Policy Paper 41 | A Questão da Habitação e a Justiça Intergeracional em Portugal

Este policy paper apresenta um índice de justiça intergeracional no domínio da habitação em Portugal, construído com base em dados da OCDE e do ICOR/EU-SILC, cobrindo o período entre 2016 e 2023. O índice estrutura-se em quatro subdimensões: (1) acessibilidade; (2) sobrecarga das despesas com habitação; (3) autonomia; e (4) condições de habitação. A acessibilidade avalia o esforço financeiro das famílias, medido através do rácio entre o preço da habitação e o rendimento disponível.

A sobrecarga das despesas com habitação corresponde à proporção de indivíduos, em cada grupo etário, que vivem em agregados familiares onde os encargos com renda, juros de crédito, manutenção, água, luz, gás, esgotos e impostos representam 40% ou mais do rendimento.

A dimensão da autonomia é avaliada pela percentagem de jovens entre os 25 e os 34 anos que permanecem a viver em casa dos pais. A subdimensão das condições de habitação integra dois indicadores: a taxa de sobrelotação e a dimensão habitacional da privação material. O índice é complementado por uma análise da evolução das políticas de habitação entre 2006 e 2025. Os resultados evidenciam uma tendência de agravamento da justiça intergeracional, sendo particularmente acentuada depois de 2020. Este período é marcado pelos impactos da pandemia, pelo agravamento de múltiplas crises e por novos conflitos geopolíticos, fatores que contribuem para agravar o índice.

Entre as subdimensões analisadas, destacam-se os agravamentos mais expressivos na acessibilidade e na autonomia, sendo a diminuição da acessibilidade particularmente acentuada. As políticas de habitação implementadas neste período revelaram-se incapazes de contrariar esta tendência. Os resultados deste policy paper destacam a necessidade de mitigar o agravamento desta situação e integrar a justiça intergeracional na formulação de políticas públicas.

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